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SPVS
Fundada em 1984 e qualificada como OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) em 2001, a Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental - SPVS, trabalha pela conservação da natureza, através da proteção de áreas nativas, de ações de educação ambiental e do desenvolvimento de modelos para o uso racional dos recursos naturais. Sua atuação é focada no bioma Floresta Atlântica - região de Guaraqueçaba, litoral do Paraná – e seu ecossistema associado Floresta com Araucária e Campos Naturais.

Entre as iniciativas desenvolvidas pela SPVS, estão ações de educação ambiental, trabalho para tirar o papagaio-de-cara-roxa da lista de espécies ameaçadas de extinção e a manutenção das reservas naturais. Também realiza esforços para a recuperação e proteção de áreas nativas privadas através do Programa de Desmatamento Evitado, e faz campanha para evitar a contaminação do meio ambiente com metais pesados.
Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa
O papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) é uma ave sob risco de extinção. Sua área de ocorrência abrange apenas uma estreita faixa litorânea da Floresta Atlântica entre o sul do Estado de São Paulo e o extremo norte de Santa Catarina. Estima-se que existam cerca de 6.500 desses papagaios na natureza – sua maior população (em torno de 5 mil) concentra-se no litoral do Paraná.

As principais causas do declínio da população do papagaio-de-cara-roxa são o desmatamento, a extração de árvores e plantas que são utilizadas como alimento e abrigo pela espécie, e a captura clandestina de filhotes para o comércio ilegal.
Desde 1998, a SPVS desenvolve o Projeto de Conservação do Papagaio-de-cara-roxa no litoral do Paraná, por meio de esforços de pesquisa, manejo, integração institucional e ações de comunicação e educação ambiental. O objetivo principal do projeto é a proteção da espécie, assegurando a conservação de populações geneticamente viáveis, eliminando as ameaças de extinção, sensibilizando a comunidade para a importância da sua preservação e promovendo a conservação ambiental da região.
Reservas Particulares do Patrimônio Natural
A SPVS mantém 3 reservas naturais inseridas no coração de um dos maiores remanescentes da Floresta Atlântica do Brasil. Adquiridas a partir de 1999, as reservas foram viabilizadas por meio de projetos de ação contra o aquecimento global e estão sendo transformadas em RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural) – categoria de unidade de conservação conferida a áreas privadas e que estabelece um caráter de perpetuidade de conservação biológica.
As três abrangem uma área de 18,5 mil hectares e estão localizadas na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaraqueçaba. Além de abrigarem as ações dos projetos de seqüestro de carbono, são destinadas à proteção de porções florestais preservadas, restauração de áreas degradadas, pesquisas em prol da conservação da natureza, assim como à promoção de atividades de educação ambiental.
Reserva Natural Morro da Mina
Localizada no município de Antonina, possui cerca de 3.300 hectares. Possui uma grande porcentagem de área florestal intacta, apresentando inclusive árvores centenárias. A água que abastece parte da população urbana do município de Antonina é captada em mananciais localizados em seu interior.
A reserva abriga um viveiro de mudas nativas da Floresta Atlântica, que abastece as reservas da SPVS nas ações de restauração florestal. Já foram identificadas no local 19 espécies de peixes, 7 de anfíbios, 33 de répteis e 49 de mamíferos. Dentro da reserva também podem ser encontradas ruínas da antiga mina de ferro existente no local.
Reserva Natural Rio Cachoeira
Situada também no município de Antonina, é a maior dentre as áreas mantidas pela SPVS. Abrange aproximadamente 8.700 hectares. Possui 200 quilômetros de trilhas e um Centro de Educação Ambiental (CEA), onde podem ser obtidas informações sobre as três reservas, conta com uma pequena biblioteca, espaço para eventos técnicos e da comunidade, e uma exposição permanente sobre os Projetos de Seqüestro de Carbono. A área do CEA ainda possui uma trilha de 1.800 metros para atividades de educação ambiental. Pesquisas desenvolvidas na Reserva até o ano de 2003, já revelaram a presença de 810 espécies de plantas, 407 de aves e 61 de peixes, além de mamíferos ameaçados de extinção como a lontra (Lutra longicaudis), a jaguatirica (Fidelis pardalis), a paca (Agouti paca) e a onça-pintada (Panthera onca). Foram ainda identificados 44 locais com presença de vestígios arqueológicos. Entre eles sambaquis, ruínas, restos de cerâmica e ossos.
Reserva Natural Serra do Itaqui
Situada no município de Guaraqueçaba, ocupa 6.653 hectares. A área possui belezas naturais como cachoeiras e o mangue, que se estende por 1.200 hectares. Um atrativo do local é a Cachoeira do Rio do Poço, formada por várias quedas e localizada no centro da reserva. Outro destaque é a Cachoeira do Rio do Santo, que possui queda de aproximadamente 20 metros. Do Rio Caçada, que nasce na área da reserva, é captada a água que abastece os 600 moradores da Ilha rasa, situada na área do município de Guaraqueçaba. Foram identificadas na reserva, até o ano de 2003, mais de 800 espécies de plantas, 235 de aves, 52 de mamíferos, 42 de peixes, 30 de anfíbios e 39 de répteis. Também foram localizadas 22 áreas com presença de vestígios arqueológicos, entre eles sambaquis, ruínas, restos de cerâmica e ossos. |